Educação por dentro e por fora - Conhecendo a estrutura da Secretaria de Educação do MS

Atualizado: Ago 6

Geralmente, o recesso escolar é um período de descanso para os professores e alunos, depois das avaliações bimestrais. E, após um ano de pandemia, todos se sentem um pouco sobrecarregados. Apesar disso, sei que o período de duração do programa de desenvolvimento de lideranças do Ensina Brasil é curto para viver e conhecer tanta coisa nova. Pensando nisso, decidi participar da primeira turma do “Trabalho de Inverno” do polo MS. Durante as férias escolares, os participantes do Ensina Brasil têm a opção de fazer o “Trabalho de Verão” com as empresas parceiras. Agora, fizemos um teste para ver se esse modelo também funcionaria durante o recesso de julho.


Como tudo aconteceu? Bom, faço parte do Comitê Big Field (conhecido como CBF). Cada polo tem um comitê e eles funcionam como representantes dos ensinas que estão naquela cidade, sendo eleitos a cada seis meses. Durante uma conversa entre comitê e time interno do Ensina Brasil, percebemos que havia uma vontade por parte dos ensinas do polo do Mato Grosso do Sul em estreitar relações com a Secretaria de Educação (SED-MS). Alguns ensinas participaram de um projeto da SED-MS ano passado para gravar aulas a serem exibidas na TV e o resultado foi muito bom. Por ser o estado com a parceria mais antiga, a negociação foi mais fácil.


Enfim, fomos seis pessoas nessa empreitada, todos ensinas da turma 2020: Bruna Ribeiro, Elton Bruno, Fernanda Firme, Geovana Santana e Matheus Roque (além de mim, claro). Passamos nosso período de recesso fazendo uma imersão na Superintendência de Políticas Educacionais (SUPED) - setor responsável por planejar, coordenar e supervisionar toda a organização da política de Educação do estado - no formato Job Rotation, ou seja, durante as duas semanas, as duplas passariam cada dia em determinada coordenadoria.


No total, conhecemos nove coordenadorias de forma presencial e mais três superintendências em encontros online. Foi uma experiência ótima! Percebi que a maioria, se não todos dos que trabalham lá, é composta por professores da rede, com experiência em sala de aula. Isso é importante para que as políticas educacionais sejam pensadas por pessoas que realmente conhecem os problemas das escolas e dos professores em sala de aula. Também me fez pensar muito na postura que temos como professores de, várias vezes, culpar a Secretaria de Educação quando algo não funciona bem ou que eles “não sabem como é na escola”. Eles sabem, e, além disso, têm amor pelo que fazem.


Nessas duas semanas, vi como funciona a criação do calendário letivo, como são implementadas as políticas educacionais para escolas indígenas, para alunos da educação especial, para as Escolas da Autoria, para os alunos com defasagem e para os privados de liberdade. Mato Grosso do Sul é pioneiro em vários projetos e programas incríveis e que merecem mais destaque e reconhecimento. Um deles é o Avanço do Jovem na Aprendizagem (AJA), que visa o atendimento do jovem estudante de 15 a 17 anos com distorção idade/ano proporcionando condições para conclusão do ensino fundamental, sendo divididos em três blocos: 4° e 5° anos no primeiro, 6° e 7° no segundo e 8° e 9° anos no terceiro bloco.


Uma pena que essas informações se percam ao longo do caminho, tanto para os professores e alunos, quanto para a população em geral. Por isso, quando tivemos de apresentar para o superintendente o que achamos desse período de imersão e o que vimos na SED-MS, ressaltamos que a comunicação era um ponto de melhoria, pois, como professora, eu não sabia que era ofertado um curso de Libras gratuito para toda a rede, ou que os alunos de EJA poderiam fazer o curso a distância.


Depois da nossa apresentação para o professor Hélio Daher, responsável pela SUPED, só posso dizer que foi um sucesso. Percebi que o trabalho da Secretaria de Educação é enorme, que são muitas pessoas envolvidas no processo e que é bem complicado implementar várias políticas diferentes em tão pouco tempo, como é o caso do Novo Ensino Médio. Mesmo assim, é um trabalho que vale a pena, pois impacta milhares de pessoas. Essa foi apenas a primeira turma do Trabalho de Inverno. Vocês ainda vão ouvir falar muito sobre esse projeto.



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