“Decisão” de carreira e as galopadas que a vida dá

Se você soubesse onde suas escolhas te levariam, as escolheria novamente?


O que é decidir uma carreira em um país com mais de 200 milhões de habitantes em que apenas 21% dos adultos até 34 anos tiveram acesso ao ensino superior?¹ Como mensurar um projeto de vida em que grande parte dos adolescentes temem sonhar e a maioria dos adultos entendem que suas limitações são maiores que seus sonhos?


É sabido que a educação, independente do nível, é um fator fundamental para entender o que é decidir um futuro com tantos embargos estabelecidos no passado, e que seguem sendo renovados no presente, apesar dos pequenos e importantes avanços.


Mas sem apreensão! Essa prosa é sobre escolhas. E tem a pretensão de ser leve, apesar dessas duras questões.


Aos que alcançam com muito suor as condições básicas para buscar essa tal liberdade para tomadas de decisões tão desejadas, e que provavelmente esteja lendo esse amontoado de palavras, seja plausível pensar sobre as decisões que nos levaram e nos impulsionam para o lugar onde estamos e ousamos sonhar chegar.


Se não agora, quando?

Se não você, quem?

“Essas palavras vão entrar no coração”, como diria Renato Russo.


Toda mudança pode ser extraordinária. Mudança essa que ocorreu para alguns de nós na transição de 2019 para 2020 e que segue em andamento, no programa de desenvolvimento de lideranças na educação do Ensina Brasil.


A oportunidade veio como chega finalmente para a sua cidade aquela peça que você mais queria assistir. Como nada é tão simples, houve um processo seletivo complexo, mas que você já sente que sua vida vai mudar. E como não? Eram tantas possibilidades de cidades em outros estados. As despedidas não realizadas, um novo universo de gente estranha que se entende (ou tenta).


Mas os próximos dois anos seriam os mais diferentes de todos. Não era só mudar com pouca estrutura para um novo estado e uma nova profissão, como foi o caso de muitos. Em menos de três meses na nova fase da carreira, no vislumbre do tão sonhado “um dia” e na frustração óbvia de viver na pele todos os desafios de uma escolha, uma pandemia sucedeu uma nova série de acontecimentos inimagináveis, que hoje conhecemos bem ou ainda estamos tentando processar.


Mas independentemente dos imprevistos um tanto permanentes, a docência permanece como um desafio constante. Falta de estrutura, defasagem, baixa valorização profissional, entre tantas outras questões, são os problemas reais que fazem parte dessa difícil e apaixonante escolha. Ela também tem suas incríveis potencialidades. A descoberta diária de si mesmo como um agente transformador do ambiente ao seu redor, as diversas oportunidades de desenvolvimento de habilidades que nem nos imaginávamos capazes, além da evolução diária.


Longe de romantizar as horas exaustivas, as cobranças injustas e os trabalhos que excedem nossas jornadas diárias, como esquecer de jantar, dormir mais tarde que o planejado, trabalhar no final de semana... Restam algumas certezas, de que se trata de um propósito maior do que todos nós. De não só acreditar que é possível, mas de lutar diariamente, em momentos empolgantes e outros nem tanto, para que um dia todas as crianças tenham uma educação de qualidade. Esse propósito tem a força e a persistência de um broto rompendo o asfalto. Capaz de nos dizer que apesar de tudo, está valendo a pena.


As decisões que mudam as nossas vidas são as mais difíceis e que no meio da longa caminhada nos dão a certeza de que fizemos a escolha certa, ou que pelo menos não foi um esforço em vão.


E o que a escolha pela educação tem a ver com tudo isso? Nós sabemos que tudo.


Um fim de tarde de um professor saindo da escola em Campo Grande/MS.



Veja: https://observatorio3setor.org.br/noticias/no-brasil-apenas-21-dos-adultos-com-ate-34-anos-tem-ensino-superior/

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